Prudêncio e Filipe Gonçalves triunfam em Almeirim

Almeirim

A data que outrora foi das mais tradicionais em Almeirim, sentiu o afogo de se realizar numa má fase da temporada, em que há factores diversos que afastam o público das bancadas e que se prendem obviamente, com questões de foro financeiro.

Pouco público, ou seja, cerca de um terço de entrada forte, num festejo que se realizou logo após a Feira Taurina da Moita, o início do ano escolar e o período pós férias. Contras a mais mas, como noutras ocasiões, pode bem dizer-se, que quem não foi, perdeu um espectáculo agradável.

Houve dois triunfadores destacados, ou melhor, três!

O toiro de Prudêncio, o primeiro do lote de Duarte Pinto, de jogo muito bom; Filipe Gonçalves, com uma grande actuação frente a um toiro pequenote de Herdeiros de Paulino de Cunha e Silva, diga-se, bravo. O prémio Bravura, entre ao exemplar de Prudêncio, poderia bem ter ido parar ao Paulino da Cunha e Silva… não teria ficado mal entregue e sim, também foi triunfador.

Filipe Gonçalves está definitivamente na temporada da sua vida. Está seguro, com soluções para tudo, com técnica, com noção de espectáculo e sobretudo, criando a cada dia que passa, mais empatia com o público, que o começa a perseguir pelos triunfos, andando o seu nome já na boca do povo. Bem de verdade esteve com o tal bravo de Paulino da Cunha e Silva, embora sem trapio…

Depois dos bons compridos e já nos curtos, andou sempre em crescendo, de tudo fazendo. Ladeios, batidas ao pitón contrário, remates em piruetas, palmas do Xique e um violino e palmo.

Resultado, público em pé e triunfo gordo!

Filipe lidou também um São Marcos, de abastada inferioridade no que a qualidade concerne, comparativamente ao primeiro do seu lote. Andou magnífico, numa actuação inteligente, cuidadosa e que foi pautada também pelo rigor na interpretação das sortes.

O toureiro algarvio levou para a sua colecção de 2016, mais um triunfo para ninguém pôr defeito!

Abriu a função Luís Rouxinol frente a um toiros de José Luís Vasconcellos e Souza d’Andrade, também ele sem rigor de trapio, mas, que se deixou… Ainda assim e a par com o segundo do seu lote, podemos bem dizer que Luís teve mão na escolha e tirou da cartola o pior dueto de toiros… Frente ao primeiro andou regular mas sem deslumbrar, montando o Douro; frente ao segundo, uma rês de Manuel Veiga (ganhador do troféu Apresentação), perigoso na investida e sempre pronto a surpreender, andou irregular, consentindo pelos menos dois fortes toques nas montadas, o primeiro deles ainda em fase de compridos, o outro, montando já a Viajante. Houve bons curtos, mas entremeados com menor brilhantismo por parte do ginete de Pegões.

Duarte Pinto enfrentou-se com o ‘eleito’ ganhador no que a bravura concerne. Esteve bem o jovem toureiro, rubricando uma exibição limpa, de bom nível, tal como a segunda, em que lidou um toiro de Jorge Mendes, de menor voluntarismo mas que se ‘deixou’ e serviu a toureio clássico e elegante de Duarte.

Os seis toiros a concurso proporcionaram pegas emotivas e algumas tentativas ‘extras’ proporcionadas pelas dificuldades de serem toiros com génio.

Pelos Amadores da Chamusca, pegaram Bernardo Borges, ao primeiro intento; Francisco Borges, ao quinto, mas com prestações individuais de se lhe tirar o chapéu e João Oliveira, à primeira tentativa. Pelos do Aposento da Moita, estiveram na linha da frente, Martín Carvalho, consumando ao primeiro intento; José Henriques à quarta tentativa e Miguel Fernandes, num pegão, à primeira tentativa.

Dirigiu o Sr. Lourenço Luzio, assessorado pelo médico veterinário José Luís Cruz, em tarde de verão.